Festival Marés Vivas: reportagem do primeiro dia

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Festival Marés Vivas: reportagem do primeiro dia

Mensagem  PapaNJam em Sex Jul 18, 2008 8:19 pm

Subiram ao palco Peter Murphy, Sisters of Mercy e Shout Out Louds. A década de 80 levou a melhor na primeira noite do festival Marés Vivas. De alguma forma, tudo acabou por ir lá dar.

Quando é para falar de afluência, um festival com o nome Marés Vivas presta-se a vários trocadilhos. Pois bem, a maré ainda não terá estado viva, nem cheia, nem outras derivações que tais, mas já se pode antecipar um relativo sucesso: a organização declara 15.500 bilhetes vendidos até ontem, o que é auspicioso.




E ontem, à vista desarmada, pode-se dizer que a atracção principal terá sido Peter Murphy . Pelo menos, foi no concerto deste que se viu mais gente e entusiasmo, isto apesar de ser a sua segunda actuação nesta cidade em poucos meses.




Em festival de nostalgias, também contribuiu que o concerto começasse e acabasse com o património Bauhaus ("In the Flat Field" e "Burning From the Inside" nos primeiros temas e "She´s in Parties" no encore). No entanto, também é notório que há quem se marimbe para isso, sendo os temas do percurso a solo recebidos com óbvia efusão.





A tripla "Huuvola", "Deep Ocean, Vast Sea" e "Idle Flow" provoca ondulações na assistência, "Indigo Eyes" e "Strange Kind of Love" são recebidas com emoção (redobrada quando a última é associada a "Bela Lugosi's Dead"), e "Cuts You Up" contribui em muito para o êxtase no encore.




Apesar de já não andar muito amigo dos calendários, o senhor Murphy ainda é rapaz para subir a umas colunas e suportes de palco, doseando as acrobacias com uns "Oporto" bem gritados. Não parece que alguma das facções que o admiram tenha saído desapontada.




Quem também ajudou a condimentar uma certa concepção da década de 1980 foram os Sisters of Mercy . Embora já não editem há muitos anos (há algumas questões com editoras pelo meio), Andrew Eldritch mantém o disco do fogão ligado no mínimo para não ferver.




Actuaram antes de Peter Murphy e deram um concerto para fãs (quase todos técnicos de informática), com poucos hits e alguma intensidade. A caixa de ritmos imperou (chama-se Doktor Avalanche), a máquina de fumos deu nas vistas e a tensão deixou a assistência a fugir para o estático. Recorrendo à máquina de rótulos, pode-se dizer que foi um concerto bem mais industrial do que gótico.




Para inaugurar a noite no palco principal estiveram os Shout Out Louds . Vieram com a competência pop da escola sueca, vestidos com aquele aprumo Vampire Weekend, mas tiveram de enfrentar um público que, não sendo hostil, pouco conhecia do seu repertório. Ainda tentaram puxar pelo coração dos presentes e lembrar Paredes de Coura, dedicaram também uma música ao nosso país ("My Friend and the Ink on his Fingers"), mas não se pode dizer que tenham arrebatado. É claro que "Tonight I Have to Leave it" foi deixada para a fase final, com ponto de aplauso máximo na parte em que a muito sueca Bebban Stenborg (teclista) cantou.

PapaNJam

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