Anti-Pop Music Festival: primeiro dia

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Anti-Pop Music Festival: primeiro dia

Mensagem  PapaNJam em Sab Ago 02, 2008 12:15 am

Alemão Gabriel Ananda e norte-americano Josh Wink com sets intensos. Miguel Rendeiro e Expander defendem bem as cores nacionais.


Começou ontem a quarta edição do cada vez mais concorrido Anti-Pop Music Festival. O palco do evento (alternativa de sonoridades electrónicas ao festival Paredes de Coura, que se realiza a poucos quilómetros de distância) foi mais uma vez erguido junto ao Forte S. Tiago da Barra, em Viana do Castelo, e o espaço reconfigurado, com as paredes do Forte como pano de fundo e o rio Lima a ajudar a compor o cenário.

À meia-noite, o palco foi tomado de assalto por Miguel Rendeiro . O DJ português animou um público ainda reduzido (mas a aumentar a olhos vistos) com um set recheado de sonoridades fortes, vagueando entre paisagens electro-house e momentos mais minimais.
O palco revela-se uma verdadeira nave espacial que promete ajudar os corpos e as mentes mais irrequietas a visitar planetas distantes, onde a música pop não é rainha. O espaço que circunda o palco é bastante minimalista, apenas salpicado por alguns bares e uma zona chillout, bem decorada com uma mão cheia de apetecíveis sofás. Entre as habituais tendas de artesanato, uma surpresa colorida: a banca de gomas (sim, as guloseimas mais pop de sempre) fez as delícias dos mais gulosos.

O protagonismo foi entregue a Expander por volta da 01h30 e uma hora depois, o recinto encontra-se totalmente rendido às sonoridades intrincadas do DJ nacional. O público reagiu em concordância, totalmente alheio ao que se passava à volta, com os seus óculos escuros e tampões nos ouvidos (que isto de dançar demasiado perto das colunas pode ter consequências indesejadas). Tentativas de engate subtis aproximam e afastam os corpos que nem a leve brisa do rio consegue esfriar. O som profundo e intenso da música debitada por Expander vai ecoando entre o forte e o rio e Viana vai caminhando a passos largos para as actuações dos nomes mais fortes da noite.

Às 03h15, o alemão Gabriel Ananda entra de mansinho mas afirma-se rapidamente com as suas ambiências em loop e batidas em crescendo, entre vidros que se estilhaçam. O ritmo cavalgante começa depois a impor-se entre sons aquosos e a acidez vai-se transfigurando aos poucos em melodias retorcidas e chamamentos robotizados. A rendição é total, o público - entre o qual se destaca muita população sub-20 com atitude electro-pop - entrega-se sem reservas e com grande sorriso nos lábios (natural ou sintético, quem sabe?). A proximidade com Espanha também se faz sentir e nuestros hermanos recebem de braços no ar os tiros sonoros que Ananda vai disparando em todas as direcções com a sua arma inter-galáctica.

O público não pára de chegar e o espaço frente ao palco vai-se preenchendo com a massa humana, ao mesmo tempo que Ananda embrutece o som, como anúncio do final da sua prestação. De energia renovada, a audiência responde efusivamente ao final tempestuoso e recebe de braços abertos (e bem preparados) o início ruidoso do set de Josh Wink . O norte-americano é um dos nomes mais aguardados da noite e não desilude, com as suas batidas possantes e aceleradas a ajudarem a nave a planar noite dentro. O último a subir ao palco foi o italiano Marco Carola , aguentando a festa manhã dentro.

O Anti-pop Music Festival continua hoje com as actuações de Micro Audio Waves, os alemães Sleeparchive e Modeselektor e o canadiano Marc Houle.

PapaNJam

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