Anti-Pop Music Festival: segundo dia

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Anti-Pop Music Festival: segundo dia

Mensagem  PapaNJam em Sab Ago 02, 2008 11:45 pm

Modeselektor partiram a louça e tudo mais que havia a partir. Freshkitos aqueceram muito bem os ânimos. Micro Audio Waves deslocados mas sempre competentes.


Às 00h15 previa-se o pior. Os espanhóis Grobas & Ino estavam em palco a servir ambiências envolventes com batidas irregulares perante um recinto praticamente vazio (no dia anterior à mesma hora já estava bem composto). O alarme prolonga-se até à 01h15, hora em que os Micro Audio Waves sobem finalmente ao palco (com um atraso, compreensível, de 45 minutos).

Começa então a formar-se uma agradável mancha humana frente ao palco para receber o concerto do projecto paralelo de Flak (dos Rádio Macau) e da magnífica Cláudia Efe. A cantora entra de mansinho em palco, mas a pose sedutora começa instantaneamente a trabalhar.
A presença de uma banda completa em palco é encarada de duas formas bastante diferentes: enquanto alguns se divertem bem junto ao palco, outros mantêm-se alheados e indiferentes à espera que regressem as batidas fortes dos DJs. Confessa-se que sabe bem ter uma maior presença humana em palco e ver que a banda não se mostra minimamente intimidada com a reacção ambígua do público.

Os Micro Audio Waves oferecem o seu universo pop (blasfémia, num festival chamado anti-pop) de contornos electrónicos em pequenos embrulhos em formato canção: "Fully Connected", "Down by Flow" e o clássico "Dogs Pitch" foram aqueles que o público melhor recebeu.

O set audiovisual dos portugueses Invaders foi curto mas poderoso. O projecto apresentou variações rítmicas inter-galácticas com trabalhos visuais em concordância. Em menos de meia hora deixam OVNIs a sobrevoar Viana do Castelo.

O domínio germânico começa com a prestação de Sleeparchive . O início calmo, mas em ascendência vertiginosa, fazia prever aquilo que se iria passar. Entre batidas secas e estonteantes - alerta vermelho para mentes ensonadas - e melodias hipnóticas, o electro parece querer romper. Em registo introspectivo, o alemão conseguiu agitar os ânimos com o seu tecno-minimal-geek.

A noite só aquece realmente, no entanto, com a prestação dos portugueses Freshkitos , presença habitual no Anti-Pop. A dupla foi-se alongando em palco ao ritmo das exigências de um público (já em grande número) completamente enlouquecido. O set forte e crispado varreu o recinto a electro enriquecido com elementos oníricos e batidas ensandecidas. A audiência foi ao rubro e respondeu de forma ruidosa durante quase duas horas, ficando no ponto para receber os grandes heróis da noite.

Os alemães Modeselektor entram em palco pouco depois das 05h00 para apresentar um espectáculo memorável. A entrada é feita em registo perigoso, com loop crescente, e as investidas electro voltam a varrer o recinto. A dupla composta por Gernot Bronsert e Sebastian Szary manteve-se muito animada durante um live act irrepreensível, dançando e comunicando com o público de forma efusiva.

O ambiente de festa vivido em palco contagia o público, que se concentra bem perto para ver melhor. Entre temas de Happy Birthday! - brilhante álbum editado no ano passado com a chancela da editora de Ellen Allien - como "Godspeed", "B.M.I." e "Sucker Pin" (faltou "White Flash", com vocalizações de Thom Yorke), o duo oferece uma remistura a roçar o tribal de "The Dull Flame of Desire", dueto de Björk com Antony, e "Hyper Hyper", versão de um tema dos Scooter (sim, esses mesmo) também incluída no álbum.

Depois de um insuflável gigante com a cara do símio mascote da dupla ter sido erigido em palco, e manuseado ao ritmo da música, o dia começa a romper. Como se os ânimos não estivessem já no seu máximo fulgor, a dupla resolve provocar, prometendo festa e perguntando se o público estava a dormir... "Viemos a Portugal a pensar que eram mais animados que os espanhóis. Afinal...". A resposta não tardou e os primeiros raios de sol foram celebrados com pompa e circunstância.

Depois de muito aplaudidos e visivelmente satisfeitos, os Modeselektor passaram o testemunho ao canadiano Marc Houle e ao alemão Andre Galluzzi que, separadamente, levaram um público ávido de animação manhã dentro.

Hoje é a vez de o norte-americano Billy Dalessandro, o canadiano Mathew Jonson e os alemães Tiefschwarz e Supermayer subirem ao palco do Anti-Pop Music Festival.

PapaNJam

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