Festival Sudoeste: Björk

Ir em baixo

Festival Sudoeste: Björk

Mensagem  PapaNJam em Sab Ago 09, 2008 1:05 am

Experiência extra-sensorial da princesa islandesa termina em orgasmo colectivo banhado a confettis.

Terminou há momentos aquele que será com certeza um dos concertos deste ano do Sudoeste (senão O concerto). Björk muniu-se de armas indestrutíveis para matar todas as saudades que o público português tinha. Se o concerto há uns anos atrás no Hype@Meco tinha ficado bem marcado na memória de todos os que assistiram, este será impossível de apagar mesmo das recordações daqueles que (será possível?) não gostaram.
Às 22h23 (três minutos após a hora marcada), as luzes apagaram-se e o colectivo de sopros Wonderbrass entra triunfante em palco. Depois de breve introdução ouve-se a batida emprestada por Timbaland a "Earth Intruders" e desliza finalmente pelo palco a protagonista da noite. Vestes excêntricas e coloridas, como sempre (com chapéu de medusa), jactos de fogo e manto luminoso em tons escarlate... A festa começou.
Os sopros solenes fazem-se sentir mais fortes em "Hunter", primeiro recuo a Homogenic . Depois de despido o manto de medusa, revela vestido colorido e o público já está em transe completo, acompanhando o ritmo bélico. A cantora deixa o público entrar no seu mundo encantado, viajando entre as montanhas mais altas e o centro da Terra, com paragem obrigatória no fundo do mar.
A acalmia de "Pagan Poetry" (hipnotizante) e "All Is Full of Love", com as suas batidas cardíacas descompassadas, não desencoraja o público (cada vez em maior número). Até ao momento, Björk ainda não tinha trocado uma única palavra com a audiência, que nem nota, tal a rendição.
"Pleasure Is All Mine" traz a lume o mal-amado Medúlla e o olhar varre um palco decorado com bandeiras em estendal em fundo. Depois de curta ausência de palco, marcada por uma prestação bem aplaudida dos Wonderbrass (que traz à memória imagens de Dancer in the Dark ), Björk regressa e solta o primeiro (de muitos) "Obrigado" (quase soletrado).
"Immature" volta a fazer a ponte até Homogenic , com vocalização rouca a ecoar pelo recinto - teclas e sopros a condizer. "Army of Me" tem maquilhagem indígena e electrónicas esfuziantes, numa versão quase irreconhecível do tema maior de Post . Primeira explosão de confettis e lasers a riscar os céus.
"I Miss You" continua na senda das electrónicas dançáveis e "Who Is It" ganha outra dimensão ao vivo. Chega então a hora de apresentar um convidado especial. Vindo directamente do palco secundário, Toumani Diabaté recebe abraço acalorado e mostra por que razão é "o rei" da kora. Sorridente aos primeiros acordes, a cantora ataca "Hope" muito bem acompanhada.

Mais um "Obrigado" (ensaiado em diversas entoações ao longo da noite). Depois de momento íntimo e encantatório em islandês, começa a sequência final do concerto com "Wanderlust" e a suas batidas fortes. O suicida "Hyperballad", sempre belíssimo com os seus cortes profundos, descamba em ritmo esquizofrénico e leva o público ao delírio. "Pluto" mantém o ritmo acelerado e em palco resvala para um festim que termina em poderoso headbanging.

Saída de palco e a cantora regressa para apresentar a banda que a acompanha. A percussão de Chris Corsano e as electrónicas de Mark Bell recebem as maiores ovações. O encore constrói-se então com o velhinho "Anchor Song", com Björk rodeada pelos Wonderbrass. Vénia solene, mostrando todo o esplendor da saia colorida. "Declare Independence" é o ponto final orgásmico. Em crescendo, Björk mostra a sua faceta mais raivosa no tema que ousou dedicar ao Tibete quando actuou na China. O público deixa-se levar e como compensação recebe o maior banho de confettis a que o Sudoeste assistiu. O fim é inevitável, mas havia quem quisesse mais.

PapaNJam

Mensagens : 2854
Data de inscrição : 03/04/2008
Localização : Lisboa

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum