Paredes de Coura-4º e ultimo dia

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Paredes de Coura-4º e ultimo dia

Mensagem  PapaNJam em Seg Ago 04, 2008 11:09 pm

19h00 - Os nova-iorquinos Ra Ra Riot chegam ao palco principal de Paredes de Coura embrulhados no hype de tudo quanto o que é indie e vem da Big Apple.

Não obstante, a banda liderada pelo esforçado vocalista Wes Miles, com apenas um EP e um álbum em carteira, faz pela vida, servindo aos poucos presentes canções power-pop, encaixadas entre a veia épica de uns Arcade Fire e uma contemplação mais pastoril.

Quem acaba por chamar a atenção dos espectadores são as meninas da banda - Alexandra Lawn no violoncelo e Rebecca Zeller no violino, ambas de vestido de veraneio, a condizer com a paisagem verdejante de Paredes de Coura - e a enquadrar-se na recente tendência do indie-pop para incorporar instrumentos ditos clássicos.

Sem revolucionar ou impressionar por aí além, os Ra Ra Riot proporcionaram, com músicas como "Ghost Under Rocks", um arranque de jornada muito bem-disposto.

20h00 - Em conferência de imprensa, a organização do festival congratula-se pelo sucesso do certame, este ano, e anuncia as datas de Paredes de Coura em 2009 : 30 e 31 de Julho, 1 e 2 de Agosto.

21h00 - "You're too sweet!", exclama uma das meninas das Au Revoir Simone , emocionada com a reacção do público às canções do trio americano.

Alinhadas em palco frente aos seus sintetizadores e a uma caixa de ritmos, cada uma com um vestido vaporoso de cor diferente, Erika, Annie e Heather fizeram furor em Paredes de Coura.
Não sabemos se foi a visão, romântica e naturalista, de três ninfetas de ar doce a mexer com o coração do público, ou se o facto de a banda de Nova Iorque já ter semeado charme no Minho, com um concerto recente em Braga ajudou ao reconhecimento das músicas.

A verdade é que as Au Revoir Simone foram recebidas como poucas bandas até ao momento, este ano em Paredes de Coura. Cada tema do álbum The Bird of Music , inevitavelmente onírico e levíssimo, era saudado pela plateia atenta, o que levou as nova-iorquinos ao sentido elogio: "Vocês são o melhor público de sempre!".

Além dos insuspeitos "sucessos", como "A Violent Yet Flammable World" ou "Sad Song", as Au Revoir Simone apresentaram vários temas novos. "São um bocado esquisitos", alertaram, mas ninguém se queixou de ouvir mais umas cançonetas que circularam como brisas na tarde de Paredes de Coura.

Naquele que tem sido o dia mais quente do festival, as Au Revoir Simone, de ombros e perninhas ao léu, tornaram-se pelo menos tão populares como as três meninas fotografadas em 2007 no festival, e que amiúde ilustram artigos sobre Paredes de Coura no nosso site.
Brindadas com serpentinas e muito mimo, as autoras de "Stars" lograram, também, algo de raro neste festival: o sucesso sem recurso às guitarras.

Na despedida, prometeram encontrar-se com os fãs à noite, para "dance the night away", e saíram de palco abraçadinhas e mimosas. Belo momento, a lembrar a presença das CocoRosie no palco principal de Paredes de Coura, há quatro anos.
21h35 - O tributo aos Joy Division escolhe "Atmosphere" para dar início ao seu concerto.

À tarde, Rodrigo Leão e Nuno Gonçalves, dois dos mentores deste projecto, reafirmaram a sua devoção pela banda de Ian Curtis, argumentando que as suas canções "merecem ser ouvidas por milhares de pessoas".

Não discutiremos a veracidade de tal sentença, mas a presença de uma banda tributo no palco principal de um festival com a grandeza de Paredes de Coura não é muito edificante.

Por muito que os músicos envolvidos sejam experientes e dedicados - e ninguém duvida do currículo dos ex-Sétima Legião - fica a sensação de que as bandas de tributo não deviam sair dos bares onde habitualmente se apresentam.

Na mesma conferência de imprensa, Leão (teclados) e Gonçalves (guitarra, teclados) contaram que a ideia de formar uma banda de tributo aos Joy Division lhes surgiu com o filme Control , de Anton Corbijn. É verdade que o contexto é "convidativo" e que o recinto se encontrava repleto de gente com t-shirts dos Joy Division, mas ver uma banda de versões a atirar-se a "Love Will Tear Us Apart", "Dead Souls" (assustadoramente festiva, com saxofone e tudo) ou "Heart and Soul" tem qualquer coisa de constrangedor.
Faltou, como é perfeitamente compreensível, a urgência dos originais e faltou sentido neste concerto. No entanto, o público foi permanecendo até ao final da actuação e até acompanhou, com coro e palminhas, o refrão de "Transmission".
23h00 - Os Biffy Clyro preparam-se para entrar em palco.
À tarde, a banda britânica esteve sentada na relva de Paredes de Coura a ver o concerto dos Ra Ra Riot
O quarteto foi rapidamente descoberto por um grupo de fãs portugueses, que pediu a caneta à BLITZ para que os seus heróis lhes autografassem tudo e mais alguma coisa. Simpáticos e prestáveis, os Biffy Clyro também quiseram a nossa caneta para que os fãs lhes ensinassem umas palavras em português. Espera-se, portanto, um concerto com alguma interacção público-banda.

23h30 - Afinal, da "lição" de Português que lhes deram os fãs nacionais esta tarde, os Biffy Clyro só aproveitaram o "obrigado" e um muito tímido "gostar de vocês".

A banda escocesa cedo percebeu não estar a jogar em casa - apenas os super-fãs das primeiras filas os aclamaram e acompanharam nos coros - e ofereceram um espectáculo esforçado e honesto, tentando cativar os olhos e ouvidos daqueles que nunca o tinham visto mais gordos.

Nome grande do rock em Inglaterra, em Portugal os Biffy Clyro serão conhecidos apenas dos melómanos mais atentos às movimentações do mercado brit.

De calças justas e tronco nu, barba rija e muitas tatuagens, a banda pratica um rock mais musculado do que ouvíramos até agora, em Paredes de Coura
O toque emocional de muitas das músicas e a declarada queda para os refrões épicos fizeram-nos pensar nos Biffy Clyro, porém, como os primos "machões" de uns Snow Patrol. Os Foo Fighters, sobretudo pelo tom de voz de Simon Neil, são outra das bandas que vêm à cabeça quando canções como "Machines", "Love Has a Diameter" ou "Who's Got A Match" ecoam no anfiteatro natural de Paredes de Coura.

A despedida fez-se ao som do épico "Mountains", o que deu aos espectadores mais aguerridos uma oportunidade extra para voarem para lá das grades e serem escoltados pelos seguranças para fora do fosso dos fotógrafos.

O muito público que esta noite se encontra em Paredes de Coura aguarda agora a entrada em palco dos Lemonheads

01h00 - Os Lemonheads deram um dos concertos mais bizarros desta edição de Paredes de Coura.

Uma velha semi-glória do indie dos anos 90, a banda de Evan Dando - mentor do grupo e seu único sobrevivente - caiu de pára-quedas numa noite no mínimo ecléctica.
Sem grandes êxitos reconhecíveis do grande público - e não nos enganemos, este ano a plateia de Paredes de Coura está mais próxima do que nunca dessa massa anónima que conhece um pouco de tudo e nada em especial - os Lemonheads deixaram os espectadores sem reacção.

"Shame About Ray" e "Into Your Arms", possivelmente os temas mais conhecidos da banda, acabaram por valer aos americanos o mesmo volume - discreto, desconfiado - de aplausos do que o resto do repertório.

Melodias açucaradas, com pitadas de folk e country, foram desfilando uma atrás da outra, sem grande conversa nem apresentações, se exceptuarmos algumas insondáveis "piadas" de Evan Dando - ainda e sempre esfíngico e aparentemente ausente.

O público respeitou a coragem de Dando - que a certa altura ficou sozinho em palco, a tocar meia dúzia de canções à guitarra eléctrica - mas preferiu aproveitar os momentos mais apunkalhados para praticar os seus desportos favoritos, mosh e crowd surfing.

Deslocados no tempo neste cartaz, um pouco como os Dinosaur Jr no ano passado, os Lemonheads foram um ovni em Paredes de Coura. Boas canções como "My Drug Buddy", "Hospital" ou "Alison's Starting To Happen", bem como "Skulls", uma versão dos Misfits, não excitaram o público - mas foram aplaudidas por duas das meninas das Au Revoir Simone, que viram o concerto do palco.

Para não contrariar o espírito non-sense e despreocupado do espectáculo, Evan Dando despediu-se de Paredes de Coura com um brinde e um "see you at the beach".
01h30 - Os Thievery Corporation entram em palco para o último concerto deste ano no palco principal de Paredes de Coura.

02h20 - Os Thievery Corporation apresentam "The Heart's A Lonely Hunter", uma música que gravaram com David Byrne, dos Talking Heads.

Ao vivo, os Thievery Corporation, useiros e vezeiros dos palcos portugueses, não têm David Byrne mas têm um verdadeiro "rodízio" de MCs e cantoras convidadas, de indianas trajadas a rigor a efusivas brasileiras, que ajudam a pôr de pé um espectáculo colorido e vibrante.
Pode ter parecido uma escolha estranha para encerrar um festival onde o reggae, o funk, o jazz e a música étnica não tiveram particular expressão, mas a verdade é que o projecto de Rob Garza e Eric Hilton soube animar a multidão que, perto das três da manhã, não arredava pé do palco principal de Paredes de Coura.

A música dos Thievery Corporation é relaxada mas evita a preguiça, guarnecendo as músicas com numerosos apontamentos instrumentais; em palco há percussão, teclas e sopros, além de convidados como a cantora de terras de Vera Cruz que, apesar da confusão geográfica (achou que estava no Porto), facilitou a comunicação e a empatia com o público.

"Lebanese Blonde", "Sol Tapado", do brasileiro Seu Jorge, e "Exílio" (assim mesmo, em português) foram momentos altos de um espectáculo que deixou o público a chorar por mais - de tal forma que, depois de apresentada toda a banda, os Thievery Corporation tiveram de prosseguir a sua actuação, saciando a sede de festa e dança da multidão.

Além dos encores, a comunhão público-banda ficou materializada na "abdução", por parte de um dos MCs, de alguns espectadores para o palco. Festa rija no suspiro final do palco principal de Paredes de Coura, com direito a cânticos futebolísticos e tudo, na hora de chamar a banda para mais e mais encores.

PapaNJam

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